Dados do Trabalho


Título

ESPLENOSE TORACICA - UM RELATO DE CASO

Descrição do caso

Introdução: Esplenose torácica (ET) é um autoimplante de tecido esplênico na cavidade torácica após trauma abdominal com lesão do baço e ruptura diafragmática. A maioria dos casos é assintomática e o diagnóstico é incidental por meio de tomografia computadorizada (TC) evidenciando lesão pulmonar sólida. Pela história clínica e achados radiológicos compatíveis, suspeita-se da etiologia de ET, e a sua confirmação é possível após cintilografia específica. No entanto, o desconhecimento da ET pode levar a investigações demoradas e a procedimentos invasivos, expondo o paciente a riscos. Relatamos o caso de um paciente esplenectomizado por trauma abdominal há 24 anos, apresentando lesões sólidas pleurais em TC, sendo submetido a biópsia transtorácica e diagnóstico de ET.

Relato de Caso: Paciente masculino, 61 anos, ex-tabagista, com quadro de tosse e febre, apresentando melhora sintomática após tratamento com antibiótico. Realizada TC de tórax, na qual se observou opacidades pulmonares bilaterais, mais exuberantes no lobo médio, além de lesões sólidas subpleurais à esquerda. Ainda em serviço externo, submetido a TC de controle, cerca de 03 meses após quadro inicial, mantendo alterações citadas. Optado, portanto, por encaminhamento ao nosso serviço. Admitido com queixa apenas de tosse seca. Questionado ativamente, referiu passado de lesão por arma de fogo em 1999, com trauma abdominal e saída do projétil pelo hemitórax esquerdo e necessidade de esplenectomia. Solicitada biópsia transcutânea por radiointervenção da lesão sólida pulmonar esquerda, diante da possibilidade de neoplasia. O anatomopatológico evidenciou hiperplasia linfóide, compatível com ET.

Discussão: A esplenose é um autotransplante do tecido esplênico em sítios ectópicos. Trata-se de uma entidade benigna e ocorre após ruptura traumática do baço ou esplenectomia. A ET é a mais incomum, sendo descrita em até 18% dos casos de esplenose. É um achado majoritariamente incidental, pois os pacientes são, em geral, assintomáticos e já transcorrido longo período desde o trauma inicial. Raros pacientes apresentam dor pleurítica ou hemoptise. O aspecto radiológico é inespecífico na TC ou ressonância magnética - uma lesão pleural com realce ao contraste. Logo, o diagnóstico diferencial é amplo, incluindo mesotelioma, neoplasia pulmonar, linfoma, tumor neurológico ou metástase. Diante de anamnese e alteração radiológica compatível, o exame com maior sensibilidade e especificidade para confirmação diagnóstica é a cintilografia 99mTc com hemácias esferocitadas. A remoção cirúrgica do tecido esplênico, em sua maioria viável, não é recomendada. A biópsia ou abordagem cirúrgica da lesão visando diagnóstico, torna-se dispensável quando a cintilografia é disponível. Contudo, diante do desconhecimento da ET e a possibilidade de diagnóstico diferencial com neoplasia, muitos pacientes, incluindo o descrito neste relato, são submetidos desnecessariamente a procedimentos invasivos e passíveis de complicações.

Área

Outros

Instituições

HCFMUSP - São Paulo - Brasil

Autores

CAMILA HANAE FILGUEIRA SAITO, FELIPE MARQUESINI SANCHES, LARA NASCENTES MACHADO, RODRIGO CARUSO CHATE