Dados do Trabalho


Título

HAP e Apneia Obstrutiva do Sono: duas doenças hipoxêmicas

Descrição do caso

JUSTIFICATIVA:
A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) caracteriza-se pela obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores (VAS) durante o sono, resultando em despertares frequentes, hipoxemia e hipercapnia intermitentes, ativação simpática e inflamação. Pode causar Hipertensão Pulmonar (HP) do Grupo III - associada a doenças pulmonares e/ou hipoxemia ou pode apresentar-se como doença comórbida e influenciar a apresentação da Hipertensão Pulmonar de outras etiologias.
RELATO DO CASO:
Paciente feminina, 57 anos, diagnosticada, há 6 anos, como portadora de Hipertensão Arterial Pulmonar Idiopática (HAPi), encontrava-se em tratamento regular com Ambrisentana e Sildenafila, com boa resposta clínica e hemodinâmica ao tratamento. Mantinha-se estável em classe funcional NYHA II há anos. Apresentava AOS leve e sintomática, nunca tratada. Apesar da boa resposta clínica ao tratamento da HAPi, notou-se, há 2 anos, piora progressiva da hipoxemia em repouso e ao exercício. A piora da hemodinâmica vascular pulmonar e da função cardíaca foram descartadas como causadoras da hipoxemia observada. Como a paciente já tinha diagnóstico de AOS não tratada e mantinha queixas de ronco, pausas respiratórias presenciadas, noctúria, cansaço e sonolência diurna excessiva, aventou-se a possibilidade de hipoxemia piorada pela AOS e optou-se pelo tratamento da doença. Após titulação da pressão ideal de tratamento com aparelho de pressão positiva (PAP), iniciou CPAP com máscara nasal na pressão de 14 cmH2O. Houve ótima adesão à terapia e abolição dos eventos respiratórios obstrutivos, com melhora dos sintomas e da hipoxemia.
DISCUSSÃO:
Trata- se de uma paciente com HP Grupo I – HAPi medicada com terapia vasodilatadora e boa resposta clínica e hemodinâmica ao tratamento. Durante seguimento, evoluiu com piora da hipoxemia, que não pôde ser explicada por piora da hipertensão arterial pulmonar. Neste caso, a presença de AOS comórbida foi eventada como possível causadora da piora da hipoxemia apresentada pela paciente. O manejo da AOS com CPAP tratou a obstrução da VAS, melhorou os sintomas e contribuiu para recuperação da saturação da oxihemoglobina. A relação entre AOS e hipertensão pulmonar é bidirecional: a AOS é fator de risco para a HP (Grupo III), enquanto paciente com HAP grupo I apresentam maior risco de distúrbios respiratórios do sono. Neste caso, a paciente apresenta HAP grupo I e a AOS é uma comorbidade que contribuiu para a piora clínica quando não tratada adequadamente. Pacientes com HAP e AOS não tratada apresentam pior qualidade de vida e pior prognóstico quando comparados a pacientes com HAP sem AOS. Todos os pacientes com HAP e AOS sintomática devem ser tratados, preferencialmente, com pressão positiva, com objetivo de abolir os eventos respiratórios obstrutivos, corrigir a hipoxemia noturna, melhorar os sintomas e a qualidade de vida.

Área

Distúrbios Respiratórios do Sono

Instituições

UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo - São Paulo - Brasil

Autores

LUIZA THIENNE COLOMBO, ANTONIO CARLOS FERRETE JUNIOR, ISABELLA METRAN DOURADO, THALITA AMARAL MOTA, ELOARA VIEIRA MACHADO FERREIRA, FABIOLA PAULA GALHARDO RIZZATTI