Dados do Trabalho


Título

VIDEOTORACOSCOPIA ASSISTIDA PARA REMOÇAO DE LANÇA METALICA NO TORAX

Descrição do caso

JUSTIFICATIVA DA RELEVÂNCIA
A penetração de corpo estranho em vítimas de trauma torácico apresenta uma alta mortalidade, sendo imprescindível verificar o tratamento mais adequado ao paciente. O presente trabalho apresenta um caso raro de indicação de videotoracoscopia assistida (VATS), procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite a remoção de corpo estranho retido no tórax de forma mais eficiente e segura, evitando a realização de toracotomia em um número expressivo de doentes, a qual é considerada, muitas vezes, a abordagem padrão para lesões torácicas.

RELATO DO CASO
Paciente, 38 anos, sexo masculino, vítima de trauma penetrante na região anterior do hemitórax esquerdo por lança metálica, em decorrência de queda da escada sobre portão, com diagnóstico principal de hemopneumotórax traumático. Veio encaminhado de outro serviço para o nosso PS 3 dias após o acidente, para avaliação da Cirurgia Torácica. Paciente já havia sido avaliado pela cirurgia geral na origem. À admissão, apresentava-se em bom estado geral, orientado em tempo e espaço, hidratado, normocorado, anictérico, acianótico. Quanto ao aparelho respiratório: MVF, dreno em hemitórax esquerdo, não borbulha, oscilante, com conteúdo serohemático (drenagem total de 200 ml de sangue). Apresentava abdome plano, indolor a palpação superficial e profunda, DB -, RHA +. MMII: sem sinais de empastamento e sem edema.
Foram solicitados uma TC de tórax e exames laboratoriais, além de se comunicar a equipe da cirurgia torácica. Na TC, verificou-se volumoso derrame pleural à esquerda e corpo estranho metálico de aspecto pontiagudo, medindo 10,0 x 1,6 cm, no interior do hemitórax esquerdo, determinando laceração e transfixação do parênquima pulmonar atelectasiado do lobo inferior esquerdo, apresentando orientação oblíqua cranial e medial com extremidade distal tangenciando o processo transverso esquerdo de T5, determinando fratura com fragmento deslocado de 0,7 cm do respectivo arco costal à cerca 1,5 cm da junção costovertebral.
O paciente foi submetido a VATS à esquerda para retirada de corpo estranho, evoluindo bem sem intercorrências e recebendo alta no 5º dia PO.

DISCUSSÃO
Tendo em vista que no caso relatado o corpo estranho se trata de um objeto pontiagudo e maior que 2 cm, sua remoção se fazia certamente necessária. Para isso, poderia ter se utilizado da toracotomia convencional ou da VATS, sendo a segunda opção a escolhida. Nessa situação, são indispensáveis requisitos como a estabilidade hemodinâmica do doente e a experiência do profissional com técnicas videotoracoscópicas e pleuroscópicas. Desse modo, permitiu-se uma operação menos invasiva, que, quando feita com segurança, pode reduzir drasticamente a morbidade pós-operatória, uma vez que alivia a dor, conduz a uma boa expansão pulmonar e reduz o tempo de internação hospitalar. Contudo, a sua utilização no trauma torácico ainda não está bem definida, sendo a toracotomia muito presente no tratamento de lesões torácicas penetrantes.

Área

Cirurgia Torácica

Instituições

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo - Brasil

Autores

CAROLINA PARRA CHAKMAKIAN, MARIANA PRADO FONTANA, ROBERTO SAAD JUNIOR, MARCIO BOTTER, VICENTE DORGAN NETO, CRISTAL GEOVANA BARUFF DE BRITO E CUNHA, PAULO FABRICIO STANKE, RODRIGO TOSHIO SAKAE, SILVANA DANIELA CESPEDES GOMEZ, LUIZ GUILHERME SANTOS MAKSOUD, ANDRESSA BEBER CASTILHO