Dados do Trabalho


Título

ESTENOSES EM VIAS AEREAS POS TRANSPLANTE PULMONAR - AINDA UM MANEJO DESAFIADOR

Descrição do caso

Introdução: Transplantes pulmonares podem evoluir com complicações de vias aéreas, oas quais implicam em grande mortalidade e morbidade. a estenose brônquica é a complicação de via aérea mais comum, mas ainda não há consenso sobre a sua terapêutica. A última atualização pelo International Society for Heart and Lung Transplantation ( ISHLT), de 2018, sugere a dilatação brônquica comoprimeira medida a ser tomada por ser uma das técnicas menos invasivas, sendo a colocação de stent uma abordagem possível. Entretanto, ainda há limitada evidência na literatura sobre o manejo das estenoses pós transplante pulmonar.
Objetivos: O estudo tem por objetivo avaliar o desfecho das abordagens às estenoses brônquicas pós-transplante de pulmão.
Método: Estudo retrospectivo com inclusão de pacientes em pós operatório de transplante pulmonar de 2020 a 2023 que evoluíram com estenose em via aérea com necessidade de intervenção.
Resultados: Foram 66 pacientes transplantados no período, desses 6 pacientes apresentaram estenose com necessidade de intervenções. O tratamento inicial foi com dilatação e, se necessário, estenotomias seriadas. Desses, três evoluíram com resposta satisfatória, sendo que um deles faleceu por complicações não relacionadas. Três pacientes tiveram falha do tratamento inicial, sendo indicada a colocação de prótese em via aérea. Um paciente se adaptou bem à prótese e se mantém sem complicações. Outro paciente, com estenose bilateral, primeiramente foi tratado com prótese à direita, mas essa migrou sendo necessária a retirada. Após, locada prótese à esquerda, no entanto, essa precisou ser retiradapor colonização fúngica. Disso submetido a nova prótese à direita. Esses 2 casos apresentaram melhora ventilatória imediata após a prótese e seguem em acompanhamento. Um terceiro paciente obteve melhora inicial, mas foi a óbito sem causa relacionada a estenose um mês após.
Conclusões: O manejo com dilatação e estenotomias é o tratamento de eleição, apresentando cerca de 50% de resposta. Em casos refratários, o uso de prótese deve ser avaliado criteriosamente por equipe multidisciplinar especializada devido às complicações já descritas na literatura associadas a stents de via aérea. São necessárias várias intervenções (em especial pela necessidade de broncoscopias regulares devido ao acúmulo de secreção na prótese e monitorização de posicionamento) e eventual realocação das próteses. Mas a resposta é satisfatória, dada a melhora da condição respiratória, e evitam-se intervenções maiores, como re-anastomoses ou re-transplantes.

Referências: Crespo MM, McCarthy DP, Hopkins PM, Clark SC, Budev M, Bermudez CA, et al. ISHLT Consensus Statement on adult and pediatric airway complications after lung transplantation: Definitions, grading system, and therapeutics. J Heart Lung Transplant. 2018;37(5):548-563. https://doi.org/10.1016/j.healun.2018.01.1309

Área

Cirurgia Torácica

Instituições

Faculdade Israelita Albert Einstein - São Paulo - Brasil

Autores

FERNANDA YOU CHIE CHENG, EMILY MIE ARAI, ENZZO ALMEIDA GALLAFASSI, OSWALDO GOMES JUNIOR, MARCOS NAOYUKI SAMANO, GUILHERME VIEIRA SOARES DE CARVALHO, EVELYN SUE NAKAHIRA